Diferentes e esquecidas: as raras pinturas da F1

O carro apresentado pela Red Bull, com pintura azul e branca, recebeu diversos elogios. Mesmo assim, vai ser vista apenas em testes. Recordamos outros dez layouts diferentões – mas que nunca foram vistos em um GP

A temporada de apresentações de carros da F1 chegou ao fim no dia 26/01. Tão logo Toro Rosso e Force India revelem suas pinturas, todas as equipes de 2018 vão ter suas pinturas conhecidas. Menos uma: a Red Bull voltou a apresentar apenas uma pintura de testes, que logo será substituída pela definitiva.

Mesmo sendo uma pintura temporária, serviu para causar uma impressão positiva: com grafismos de azul escuro, azul claro e branco, foi visto por muitos como o carro mais bonito de 2018. E será aposentado tão logo o GP da Austrália chegue.

Em homenagem ao carro temporário da Red Bull, o GRANDE PREMIUM recorda dez pinturas bem diferentes – mas que nunca foram vistas em um GP de F1.

A McLaren já namorava com o laranja em 1997

McLaren, pré-temporada de 1997

McLaren, pré-temporada de 1997

Seguimos de McLaren, mas agora com um layout que funciona. Depois de encerrar a relação com a Marlboro em 1996 para ser patrocinada pela West, os britânicos resolveram esconder o jogo por um tempo. Antes de divulgar a icônica pintura prateada, a equipe colocou na pista um carro... laranja!

Tratava-se de uma referência óbvia às origens da equipe, que competiu na década de 1960 com laranja. Mesmo com tom tradicional, contava com ares de modernidade – a escrita MP4-12 aparecia, de forma estilizada, na tampa do motor.

A pintura laranja voltaria a ser utilizada em testes em 2004. Mas, como sabemos, a cor só voltou a ser vista em pinturas principais em 2017 – e, em sua versão tradicional, em 2018.

Azul e branco não é novidade na Williams, mas e como esse layout?

Williams-BMW, testes em 1999

Azul e branco não é novidade na Williams, mas e como esse layout?

Williams em azul e branco é algo comum, mas uma bateria de testes em 1999 trouxe um layout arrojado. Nos primeiros testes com o motor BMW, que viria a ser fornecedora entre 2000 e 2005, os britânicos colocaram na pista um carro muito diferente daquele que seria visto nos anos seguintes.

Tratava-se de uma pintura branca, mas com listras azuis na horizontal – várias delas. Era diferente, mas certamente não seria a pintura principal – ficava difícil encaixar as marcas dos patrocinadores nesse esquema. Dito e feito: em 2000, o azul e branco veio de forma mais convencional – mas não menos bonita.

Antes da versão com 'pinceladas', a Toyota teve uma pintura preliminar

Toyota, testes em 2001

Toyota, testes em 2001

Entre 2002 e 2009, a Toyota nunca teve paciência para mudar a pintura do carro. Aquela tradicional pintura branca com ‘pinceladas’ vermelhas nunca foi acusada de ser feia, mas sim de não ter inovação nenhuma. Mas engana-se quem pensa que os japoneses nunca pensaram em fazer algo diferente na F1.

Enquanto preparava a estreia na F1, a Toyota colocou o TF101 – carro usado somente em testes – com uma pintura diferente na pista. Ainda era um carro em branco e vermelho, mas com layout mais ‘comportado’: antes das pinceladas, era um simples carro majoritariamente vermelho e com detalhes brancos.

Antes do azul e amarelo, a Renault usou branco e amarelo

Renault, testes em 2002

Renault, testes em 2002

Os carros inspirados em omeletes voltam à lista. Antes da consagrada pintura em azul e amarelo dos anos 2000, a Renault fez testes com uma pintura muito diferente.

Em 2002, com Fernando Alonso ao volante, a equipe colocou na pista de Barcelona um carro amarelo e branco.  A disposição das cores até lembra a do patrocínio da Mild Sevem, com o branco no lugar do azul. Era, de certa forma, uma referência da Renault aos carros das décadas de 1970 e 1980, que entraram na história justamente pelo amarelo.

A BAR apareceu com uma pintura bem criativa em Monza em 2004

BAR, treinos livre do GP da Itália de 2004

A BAR apareceu com uma pintura bem criativa em Monza em 2004

Em um passado não muito distante, as equipes de F1 tinham a chance de alinhar um terceiro carro nos treinos livres. Era o jeito de dar oportunidades para pilotos reservas sem precisar tirar tempo de pista de um titular, como acontece hoje.

Nesse terceiro carro, a BAR gostava de ousar. Sabendo que o bólido não competiria no domingo, os britânicos usavam pinturas diferentes. No GP da Itália de 2004, veio a ideia de desenhar a posição do piloto dentro de um carro de F1. Tudo bem que Anthony Davidson é quase um anão, mas serviu de referência – não estava tão claro como pode ser desconfortável pilotar um F1.

Em 2009, assim como em outros anos, a Williams testou com pintura azul marinho

Williams, pré-temporadas de 2006, 2008, 2009, 2011, 2014...

Em 2009, assim como em outros anos, a Williams testou com pintura azul marinho

Essa talvez seja a pintura de testes mais batida de todas. Utilizada em nada menos do que cinco oportunidades, o azul marinho na Williams é quase tão comum quanto decepções da equipe.

Trata-se de uma pintura simples – para não dizer chata. Enquanto termina de definir as cores do carro da temporada, a Williams se acostumou a colocar um carro azul marinho na pista.

Aconteceu em 2006, quando a Williams ainda definia qual seria o visual do carro pós-BMW. Em 2008 e 2009 também, mesmo que fossem anos sem grandes mudanças. Também teve em 2011, ano da chegada da PDVSA, e em 2014, ano da chegada da Martini. Não acharam outras cores para usar?

A primeira pintura da Force India na F1 nunca recebeu uma segunda chance

Force India, testes em 2007

A primeira pintura da Force India na F1 nunca recebeu uma segunda chance

Levou algum tempo até a Force India usar o verde e laranja, cores marcantes da equipe até 2013. Os indianos, que compraram a Spyker ao fim de 2007, começaram a testar layouts logo de cara.

Logo após fundar a equipe, Vijay Mallya chamou Ralf Schumacher e Giancarlo Fisichella para participar do primeiro teste, ainda em 2007. O carro era branco e vermelho escuro, combinação que não voltaria às pistas. Em 2008, o carro apareceu com branco e vermelho claro, mas com um layout totalmente distinto.

Simona de Silvestro teve uma pintura diferente enquanto testou pela Sauber

Sauber, testes em 2014

Simona de Silvestro teve uma pintura diferente enquanto testou pela Sauber

Esse aqui é uma verdadeira raridade. Poucos lembram, mas ao longo de 2014 Simona de Silvestro realizou testes com a Sauber de 2012. Era um projeto bancado pela equipe suíça que, em caso de sucesso, visava colocar a pilota como titular em 2015.

Nas atividades, Simona apareceu com um carro bem diferente. O carro tradicionalmente cinzento apareceu com detalhes em azul e verde, cortesia do patrocinador da pilota. Seria um prenúncio da pintura de 2015? Não: antes mesmo do fim de 2014 a suíça foi sacada, se despedindo das chances de competir na F1.

A Red Bull já tinha aparecido com pintura exótica nos testes em 2015

Red Bull, pré-temporada de 2015

A Red Bull já tinha aparecido com pintura exótica nos testes em 2015

Essa pintura é uma queridinha entre os fãs da F1. O carro da Red Bull para 2015 foi apresentado sem azul, vermelho ou amarelo. No lugar, um carro preto e branco e cheio de desenhos aleatórios – tudo para esconder qualquer inovação para a temporada.

A pintura recebeu diversos elogios – assim como a de 2018 também recebe. Mas não adiantou: na altura do GP da Austrália, a equipe dos energéticos apareceu com o layout costumeiro.

A Toro Rosso esteve 'nua' na primeira semana de testes da F1 em 2016

Toro Rosso, pré-temporada de 2016

A Toro Rosso esteve 'nua' na primeira semana de testes da F1 em 2016

Parece que a pintura azul marinho inspirou outras equipes. Se em 2016 a Williams usou o layout normal, foi a vez da Toro Rosso desbravar Barcelona com um carro escuro.

Antes de os italianos divulgarem a pintura definitiva do STR11, a equipe andou com um carro que só usava a cor base – azul marinho. A equipe justificou a pintura temporária citando um atraso no desenvolvimento do bólido – enquanto a versão final não estivesse pronta, as cores definitivas não seriam mostradas.

Mas isso não era indicativo de um carro com pintura chocante: na segunda semana de testes, a Toro Rosso apareceu com a mesma pintura de 2015. Seria só em 2017 que o layout do carro passaria por grande reformulação.

FONTE ORIGINAL DO TEXTO: https://grandepremium.grandepremio.com.br/10/materias/diferentes-e-esquecidas-as-raras-pinturas-da-f1