Bons pilotos. Mas na F1...

Pascal Wehrlein reinou no DTM, mas teve grandes dificuldades na F1. Inspirado no alemão, o 10+ cita pilotos de grande talento e currículo, mas que não conseguiram repetir a performance na principal categoria do automobilismo.

O sábado (2) amanheceu com uma das notícias mais previsíveis dos últimos tempos. Pascal Wehrlein perdeu a vaga na Sauber para Charles Leclerc, enquanto Marcus Ericsson conseguiu renovar o contrato. Com a Williams na iminência de anunciar Robert Kubica, já dá para afirmar que Wehrlein está fora da F1 em 2018.

É o fim da linha para um piloto que chegou com grandes expectativas. Campeão do DTM em 2015, Wehrlein era apontado como menino de ouro da Mercedes. Mas quem criou expectativas se frustrou: Pascal defendeu Manor e Sauber em 2016 e 2017 e, sem carros decentes, mal pontuou. Entre as vitórias no turismo e as adversidades dos monopostos, existe um contraste claro.

Mas Wehrlein não é o primeiro a passar por isso. Listamos dez pilotos que mandaram bem em diversas categorias do automobilismo, mas não conseguiram repetir o mesmo nível de sucesso na F1.

10) Jan Magnussen

Jan Magnussen (Australia 1998)

Jan Magnussen, pai de Kevin, estreou pela McLaren na F1 no lugar de Mika Häkkinen, terminando o GP do Pacífico em décimo. Parecia um começo promissor, mas isso foi quase tudo: em 1997 e 1998, Jan defendeu a Stewart e passou a maior parte do tempo na sombra de Rubens Barrichello. Com um sexto lugar como melhor resultado, Magnussen foi demitido no meio da temporada.

De lá para cá, a carreira de Magnussen teve DTM, CART e até Nascar. Mas foi em Le Mans que Jan realmente brilhou: sempre andando de Corvette, o dinamarquês venceu quatro vezes as 24 Horas na classe GT. Nada mal para alguém que é frequentemente esquecido na história da F1.

9) Cristiano da Matta

Da Matta

Da Matta foi um dos muitos pilotos brasileiros que apostou no automobilismo americano no fim dos anos 1990. Com um título da Indy Lights no bolso, subiu para a CART em 1999. E aí a carreira decolou: com a Newman-Haas, o brasileiro alcançou o título em 2002. A bela performance chamou atenção da Toyota na F1, que o convidou para ser titular em 2003.

E Da Matta fez um belo trabalho: com um carro fraco, foi bem e conseguiu dois sextos lugares. Seguiu como titular em 2004, mas sem encantar. E aí a Toyota enlouqueceu: por motivos não muito claros, Da Matta foi trocado por Ricardo Zonta no meio do ano. Era o fim melancólico de uma carreira na F1 que podia dar muito certo.

8) Henri Pescarolo

Henri Pescarolo

Quando se pensa em Pescarolo, se pensa em corrida de endurance. O francês disputou as 24 Horas de Le Mans em 32 oportunidades entre 1966 e 1999, um número quase surreal. Foram seis vitórias em Sartre, quatro delas no geral. Com números tão bons, quase se esquece que Henri teve carreira na F1 – mas longe de ser brilhante.

Entre idas e vindas, Pescarolo esteve na F1 1968 e 1976. Quase sempre sofrendo com a falta de equipamento: foram anos com a Williams, minúscula na época, e na já decadente BRM. Foi só com a Matra que realmente deu para fazer algo: em 1970, Henri chegou até a ir ao pódio no GP de Mônaco. E foi isso. Pouco para uma lenda do endurance.

7) Stefan Bellof

Bellof

Um caso diferente, e por motivos trágicos. Em 1984, Bellof optou por disputar as temporadas da F1 e do Sportscar, principal campeonato de protótipos. Os resultados vieram: Stefan foi terceiro colocado no GP de Mônaco com uma Tyrrell mediana. Pena que a equipe colocava chumbo no combustível, forma ilegal de deixar o carro com o peso estabelecido pelo regulamento. Assim, Bellof foi desclassificado de todas as corridas do ano. No Sportscar, a história foi outra: Bellof foi campeão após vencer seis corridas.

A carreira promissora chegou ao fim na Eau Rouge. Bellof disputava posição com Jacky Ickx na famosa curva e os dois bateram com força na barreira de pneus. Stefan foi declarado morto ao chegar ao hospital. O automobilismo perdia um futuro campeão da F1.

6) Lucas Di Grassi

Lucas

Como a maioria dos brasileiros, Di Grassi teve uma carreira orientada na direção da F1. Foi difícil, mas deu para chegar lá: em 2010, o piloto assinou com a estreante Virgin. Parecia uma boa defender uma equipe apoiada por uma grande marca, mas não deu certo: o carro era um dos piores do grid e Lucas não pôde mostrar seu talento. A cereja no bolo foi a demissão no fim do ano.

Depois de perder a vaga, Lucas seguiu ligado à F1 como piloto de testes da Pirelli. O rompimento definitivo veio quando o brasileiro passou a defender a Audi no Mundial de Endurance. Mas a glória só viria em 2017: na Fórmula E, Di Grassi derrotou Sébastien Buemi e levantou o primeiro caneco da carreira.

5) Sébastien Buemi

Sebastien Buemi

Foi só recentemente que Buemi realmente começou a dar pinta de ser um grande piloto, isso porque a carreira na F1 não teve pontos altos. Defendendo a Toro Rosso entre 2009 e 2011, Buemi até pontuava com frequência. Mas nunca conseguia uma atuação acima da média. Assim, o suíço foi despedido sem muita cerimônia.

Mas Buemi se viu em uma situação bastante boa após deixar a F1, logo arranjando uma vaga na Toyota no Mundial de Endurance. Os japoneses nunca foram espetaculares no certame, mas permitiram que Sébastien fosse campeão em 2014. Na Fórmula E, outro caneco, e ainda mais convincente: sempre andando bem com a Renault, o piloto se tornou campeão em 2015/16.

4) Sébastien Bourdais

Sébastien Bourdais

Bourdais traz uma história diferente da maioria dos pilotos dessa lista. Ao invés de tentar sucesso na F1 de imediato, o francês cruzou o oceano após ser campeão da F3000 em 2002 para defender a Newman-Haas na CART, campeonato americano de monopostos. O resultado foi o melhor possível: quatro títulos entre 2004 e 2007, sempre dominando. Foi aí que a Red Bull, através da Toro Rosso, fez o convite para ser titular na F1.

Não deu muito certo. Entre 2008 e 2009, Bourdais só pontou quatro vezes com um carro de pelotão intermediário. Sem encantar na comparação com Sebastian Vettel e Sébastien Buemi, o francês voltou aos Estados Unidos, onde ainda corre.

3) Gabriele Tarquini

Gabriele Tarquini

Tarquini teve uma carreira relativamente longeva na F1, mas não dá para dizer que teve sucesso. Foram 79 GPs ao longo de sete anos, mas só deu para pontuar uma vez – com a minúscula AGS, foi sexto no GP do México de 1989. Sempre defendendo equipes de menor porte, é claro que a carreira não vingou.

Desse jeito, o italiano focou no turismo. E não se arrependeu: no BTCC, campeonato britânico, foi campeão em 1994 até com certa facilidade. No WTCC, campeonato mundial, uma série de vitórias entre 2005 e 2016 e o título de 2009, aos 46 anos – o que tornou Tarquini o campeão mais velho de um campeonato chancelado pela FIA.

2) André Lotterer

André Lotterer

O alemão Lotterer teve sucesso em quase tudo que fez: incapaz de conseguir a titularidade na F1, o piloto concentrou esforços no automobilismo japonês. No oriente, venceu a Super Formula e o Super GT. Em 2012, passou a se dedicar ao automobilismo europeu. Também deu certo: Lotterer venceu três 24 Horas de Le Mans e foi campeão do Mundial de Endurance, tudo com a Audi.

Aí veio a F1. E não chegou nem perto de dar certo: fazendo aparição especial com a Caterham no GP da Bélgica de 2014, Lotterer até fez uma bela classificação, superando Marcus Ericsson de primeira. Mas acabou abandonando a corrida logo na primeira volta com problemas elétricos.

1) Bernd Schneider

Bernd Schneider

Talvez o piloto de maior contraste entre as carreiras dentro e fora da F1. Schneider disputou três temporadas do campeonato de monopostos, entre 1988 e 1990, participando de 34 GPs – mas só conseguindo largar em nove. Isso porque o alemão defendia a terrível Zakspeed, que tinha enormes dificuldades para sequer passar da pré-classificação. Tendo um 12º lugar como melhor resultado, Bernd saiu pela porta dos fundos.

No DTM, a história foi completamente diferente. Na primeira temporada completa, em 1992, já um terceiro lugar na classificação. O primeiro título veio em 1995. Nos anos seguintes, mais quatro canecos no campeonato de turismo – 2000, 2001, 2003 e 2006. Nada mal.

FONTE: https://grandepremium.grandepremio.uol.com.br/10/materias/bons-pilotos-mas-na-f1